"Escrever é muito fácil, é só disfarçar ideias tolas em obscuras". kalvin.
terça-feira, 5 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
O baú
Quando comecei a te contar minha história senti uma necessidade de me
rever. Comecei a vasculhar meu baú, encontrar aquela menina que fui e hoje não
sei se sou. Eu precisava também, saber se aquela que eu dizia era realmente
aquela que eu era. Confesso que revirar tantas histórias, lembrar de coisas que
eu não sabia se devia lembrar foi uma experiência mágica, coisa que
psicanalista nenhum consegue revirando a mente de uma pessoa. Tantos fatos que
há fora de nossa mente, fora de nossa vista. Tive o primeiro susto ao encontrar
brincos dos quais não usava fazia tempo. Não lembrava porque os guardara, nem
sabia quando tinha acontecido isso. Coloquei-os nas orelhas e voltei ao
serviço, antes dei uma olhada no espelho e vi que estava bem com aquele par e
senti o rejuvenescimento batendo na alma, rejuvenescimento com coisas antigas.
Voltei ao serviço.
No baú estava jogado tudo que eu não usava mais. Não sei se eu não queria
mais usar, se eu desgostava do uso, cansara, ou simplesmente queria esquecer
aquelas coisas todas. Encontrei cartas, muitas cartas. Cartas de alguns
ex-namorados e cartas que são, na verdade, bilhetes. Engraçado lê isso tanto tempo
depois, parece um registro histórico mas não tem nada histórico, são coisas que
a gente guarda para guardar de lembrança, mas uma lembrança que nunca vamos
reler. O Pessoa tava certo, “todas as cartas de amor são ridículas, mas só as
pessoas quem não escreveram cartas de amor é que são ridículas”. Hoje, ao
lê-las, tudo parece tão simplório, aquele grande amor que ficou registrado não
passa de linhas no pape e lendo sinto uma frieza nas palavras. Ridículo, mas
necessário. Joguei novamente as cartas no fundo do baú, lá é o lugar delas, um
dia mostrarei a alguém que já tive cartas de amor. Encontrei no meio ingressos
de filmes imperdíveis, de shows e até um pedaço de cartão de crédito que foi do
meu primeiro presente de adolescente.
Dentro do baú há também muitas blusas, shorts, e até um par de sapatos
que usei no meu ensino médio. Minha nossa!, não sabia que havia guardado tanto
coisa, cada uma com uma história da qual eu não lembrava, cada qual com sua
carga de preciosidade. Esta blusa usei
nos meus 15 anos na hora da festa após aquele baile interminável e cansativo.
Nossa, e ainda conserva o cheirinho. Encontrei fotos de minha família, alguns
que já se foram... vovó, vovô, a foto do meu cachorro, sim meu cachorro que foi
enterrado como se gente fosse. Nunca pensei que fosse tão bom revirar o baú de
minha vida. A gente vai colocando aqui toda a nossa vida e esquece de observar,
mensurar e excluir. Mas agora vejo que nada deve ser retirado, tudo faz parte
de mim ainda, tudo ainda está vivo porque para mim tem um significado. Meus
filhos se um dia forem revirar meu quarto após minha morte e encontrarem este
baú, na certa, o tratarão como algo cheio de coisas velhas; para eles isso é
algo morto como o dono. Mas não, aqui há história. Na certa eles olhariam as
peças, não entenderiam o significado de umas e esvaziariam o baú e depois
levariam ele a um brechó e com todas as outras coisas não saberiam o que fazer
e, certamente, o lixo seria a solução.
Infelizmente é assim que fazem quando pessoas estranhas invadem nossas
vidas, não conseguem entender o real significado de certas coisas estarem ali,
simplesmente acham que nada faz sentido porque não são capazes de entender o
que aquilo carrega. A morte do dono é também a morte de sua obra e de tudo o
que juntou. A posteridade nunca entende o que é nosso só nosso e que não
deixamos ninguém invadir.
Resolvi parar tudo. Eu não precisava mais daquilo, já tinha me
redescoberto e já sabia quem eu era, eu sou eu. As coisas do baú são minhas,
todas são minhas, todas tem a sua importância que eu entendo muito bem. Nada
pode ser descartado, nem as cartas de amor.
Dotada de uma felicidade da qual fazia tempo que não sentia, ela guarda
todos os seus documentos, todas as suas roupas, fecha o seu baú e joga dentro
do armário. Lá está bem guardada minha memória, a salvo de invasores e a salvo
de mim, eu não posso bagunçar aquilo, aquilo é meu, aquilo sou eu.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Nasce um eu lírico
Eram tempos da sétima série na qual os jovens deixavam aquela mania de
serem os heróis dos filmes e desenhos e queriam ser heróis de verdade. Heróis do
povo, seja como músico, ator ou até professor. Eram tempos em que a puberdade
estava latente naqueles seres tão obtusos, que acreditavam saber mais do que
sabiam; seus corações falavam de liberdade, de amor, de sexo e eles mesmos se
reprimiam sem saber, de fato, o real significado da liberdade. As conversas se
baseavam nas novidades que o mundo trazia: filhos da era da Internet, do
celular, das músicas digitais, nós fomos cobaias de um mundo que queria se
mostrar novo; nós as cobaias do novo século não sabíamos que o nosso gosto ia
definir o gosto do futuro, muito menos sabíamos que o mundo estava mudando.
Para nós não existia o ontem, o depois, existia o agora e o agora era como
sempre fora.
De toda essa metafísica, de todos estes sentimentos, aquele que talvez
fosse mais difícil de conviver era a sinceridade. A sinceridade para os adultos
era algo complicado, devia ser mensurado para não ferir o outro. Para os jovens,
a sinceridade era algo mensurado para não nos ferirmos ou perdermos o respeito
dos colegas.
Nossa professora de redação era também nossa professora de gramática e
nos acompanhou desde a 5º série, ou seja, talvez ela conhecesse mais todos nós
que nossas mães. Pode acontecer, afinal, nossa sinceridade em casa é tolhida
para se revelar na rua e vice-versa, quem sabe. A professora queria saber,
apenas, a nossa sinceridade.
Uma senhora amável, sempre sorridente, acho que senhora traz uma sensação
de que fosse velha, mas tinha no máximo uns 30 anos. A vida às vezes nos parece
injusta com as palavras e sendo professora de redação ela bem sabia disso. Com um sorriso no rosto ela entra em sala,
coloca os fichários na mesa e diz que “hoje vocês vão fazer uma redação e me entregar
ao fim da aula”. A turma toda, obviamente, contestou. Ninguém queria sofrer em
tão pouco tempo, mas a mesma nos acalmou com sua autoridade de professora, “não
adianta, eu quero para hoje e o tema será sobre o primeiro beijo”. A sala toda
fez um silêncio como que se sentindo invadida em sua intimidade, sendo roubado
pela primeira vez aquilo que não contávamos a ninguém ou para poucas pessoas,
não sei explicar.
Eu ali estava calado, no meio da sala, calado fiquei. Não lembro o que se
passava na cabeça, apenas queria fazer aquela redação. Nunca fui um gênio nas
redações escolares porque o que eu queria escrever nunca era o que a redação
permitia. Nem por isso eu era um mau aluno, pelo contrário, dentre os colegas
da idade eu escrevia até bem. Após alguns cochichos e risos, a turma já se
conformara com o tema e já fazia piadas do que iriam escrever. Eu silencioso
estava, silencioso fiquei.
Não pensei muito e fui escrevendo sobre o tema, sobre a experiência que
tinha, ou seja, nenhuma. Fui sincero com a professora, escrevi uma carta para
ela com toda a liberdade que um texto dissertativo não permitia; acho que tal
liberdade nunca mais uma prova de redação me daria. Em pouco tempo revelei
naquelas linhas que nunca tinha beijado, que também não tinha pressa, que
estava mais preocupado com os estudos do qual, quem sabe, o namoro poderia
atrapalhar. Disse que a vida era muito mais que aquele sentimento e que estaria
esperando o primeiro beijo com o coração aberto, e ele viria somente no dia que
estivesse preparado. Simples. Escrevi e entreguei à professora aquela que para
mim tinha sido uma redação comum, só que com mais liberdade. Lembro que não
demorei muito escrevendo, apenas queria brincar no intervalo.
Surpresa tivemos na aula seguinte, “quando eu mandei vocês escreverem
sobre o tema eu esperava a sinceridade, então o que eu li de vocês foi receitas
de como treinar o beijo, confissões de quantos beijos deram, e até coisas das
mais absurdas, como dos problemas que tiveram tentando beijar. Mas uma redação -
nesse momento senti o coração gelar - uma redação foi sincera, linda, poética e
inocente do jeito que ninguém foi. Já li na outra sala, na sala dos professores
e vou lê aqui para vocês, o aluno mereceu um nove (a maior nota) pela
sinceridade. Bem, se ele quiser eu revelo quem foi, e digo logo que foi desta
sala – ela olhou para mim e viu meu rosto vermelho, estático, com uma cara
pedindo que não revelasse - pois bem vou lê”.
Leu toda a redação e os alunos riram de alguns trechos, ela riu de
outros, mas no fim estava admirada, sei lá, talvez sentisse uma sensação de
esvaziar seu peito, dessas sensações que fazem valer à pena a escolha de nossa
profissão.
Toda vergonha estava em mim naquele momento. Contudo, fiquei feliz por
ela ter gostado e da nota que tinha tirado, mas estava profundamente confuso,
sem saber nada do que aquilo significava. Alguns alunos descobriram que fui eu
o autor, mas não conseguiram provar. Talvez perceberam a cara dela ao entregar
a minha redação, talvez viram meu nome ao atravessar a sala com a redação nas
mãos, não sei.
Não sei se ela tirou cópia da redação, ou se aquele incidente a
acompanhou pelo resto de sua vida; no mesmo ano ela casou e foi morar em outro
estado. Minha mãe leu a redação e fez uma cara de simpatia para comigo, que não
sei definir bem até hoje o que significava. Talvez ela tenha visto ali a sua
educação no filho, os pensamentos de que um dia o garoto vai agradecer por ter
pensado assim, na sinceridade não sei.
Mas este fato, talvez a professora não tenha percebido, minha mãe também
não e muito menos os alunos, colegas de sala, que aquela redação representava o
nascimento de um escritor. Sim, ali havia uma semente de algo que viria a ser a
única razão da existência desta pessoa: as palavras. No momento ninguém percebeu
nada, inclusive eu, mas hoje olho para o passado e vejo que aquilo significou a
maior liberdade poética que um escritor pode querer, muitos, talvez, até hoje
não tenham conseguido ser sinceros consigo e ter escrito no papel o que
realmente queriam dizer. Eu, com pouco mais de 12 anos, não sabia, mas tinha
descoberto a essência do escrever. Escrever é um ato de libertação e de
sinceridade.
Certa vez, li um texto de Jorge Amado no qual ele confessava que havia
passado por algo parecido, só que no seu caso foi um padre muito intelectual
que havia descoberto nele, um escritor e ajudou o garoto na construção de seu
universo poético. Em vez de beijo, o tema foi sobre o mar, em vez de vergonha,
Jorge Amado sentiu-se orgulhoso e foi respeitado pelos coleguinhas. Contudo, após
a leitura do texto de Jorge Amado foi que me toquei do meu passado e daquele
fato que estava já sepultado em minha memória, aquele foi o momento que descobri
que eu também tinha tido um nascimento como escritor, um nascimento poético.
Já faz sentido o porquê de tantas coisas lançadas ao papel como um
desabafo. A partir daquela redação foram se seguindo ao longo dos anos várias
confissões, havia em cada uma a poesia, o lirismo da libertação, e hoje há um
homem à procura daquela criança que não tinha medo, que apenas queria escrever
para poder brincar no intervalo.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Descartando vinis
Eu tinha um disco de vinil, joguei fora. Joguei também as caixas e toda
aquela tralha. Não vou contar a minha história, para que contaria? Joguei-a
fora. Peguei os sonhos, embrulhei numa caixa e descartei pela janela, talvez tenha
sido mais fundo, talvez um precipício, ou atirei no mar. Junto com os sonhos
foram às esperanças, os planos e algumas pessoas que eu julgava essenciais para
mim num certo momento; sim descartamos pessoas.
Acredito que a vida é meio isso, o tempo passa e vamos nos desfazendo
daquilo que não presta ou que dizem ser antiquado, desatualizado. Queremos sempre
comprar o moderno, viver o moderno, ficar na moda e sermos “presentes” com o
que o mundo dita de “presente”. Mas pensamos apenas em nós, pensamos na
felicidade momentânea e não pensamos no que construímos. Talvez você jogue
junto com a vitrola sua imensa coleção de vinis. Nenhum problema, você faz
outra só de cd’s. Pode até ser a mesma coleção do artista, mas não será mais a
mesma coleção: não terá a mesma poesia nem lirismo.
Pessoas são todas iguais fisicamente, emotivamente, e até em gostos. Amigos também são iguais: pagam a conta, ligam
nos momentos difíceis e aparecem em fotos. Mas nunca são as mesmas pessoas.
O tempo vai passando e vamos moldando o que tínhamos por sólido em algo
mais tangível à realidade, mais aceitável, mais fácil, por quê? Talvez a coleção de vinil não seja mais sua, já
se perdeu no tempo. Talvez o seu eu, agora, seja colecionar cd’s. O grande
problema é que nem sequer pensamos em nossos atos do presente, e talvez nem
pensaremos no futuro, apenas fazemos. Jogar uma vitrola no lixo não é
simplesmente jogar uma vitrola no lixo, é algo que nasce de um tempo que nem nós
sabemos, não nasce com a gente. Alguém produziu o cd, alguém comercializou e
pronto, nos vemos obrigados a mudar. Conhecemos novas pessoas, não sabemos de
onde elas vieram e pronto, nos encantamos e queremos descartas as antigas. Velhas
namoradas não inspiram o mesmo prazer que uma nova namorada, velhos amigos não
inspiram o mesmo prazer que novos amigos.
Vivemos novas pessoas e somos “obrigados” a descartar as que não nos
servem mais, somos “obrigados” a viver uma nova aparência com o medo de desagradar.
E no jogo das aparências desagradamos a nós mesmos. Descartem vinis, descartem
pessoas e sejam felizes até enjoarem da “felicidade”.
sábado, 5 de novembro de 2011
O papel da mídia na contenção social
Muita gente já percebeu que agora a periferia é algo que está mostrando as caras na mídia. O que vemos é uma chuva de denuncias contra ruas não calçadas, saneamento básico, praças não conservadas ou caminhão do lixo que não passa nas ruas. O projeto que tenta fazer o povo mostrar sua voz e sua cara na televisão e mostrar os “problemas” pontuais a que passam os bairros, na verdade são uma tentativa de calar a voz dessa população a margem de seus direitos com ganhos pontuais que não mudam sua condição de vida, trazendo uma falsa sensação de participação numa sociedade excludente e que deseja a segregação e apaziguamento das periferias.
O que empresas como a rede globo nordeste vem fazendo, juntamente no seu programa NE/TV é algo que vem sendo feito pela emissora em vários lugares do Brasil. Além de perceberem que as classes c e d dão audiência, uma forma de abocanhar esta fatia considerável dos consumidores de imagens (também em TV digital) é ir lá, no seu bairro, mostrar sua rua não calçada e cobrar do prefeito a “melhoria” de suas vidas.
Claro que todo mundo quer sua rua calçada, coleta regular e um bem estar de vida que possa lhe dar qualidade no seu dia-a-dia, mas a “cobrança” da mídia, na verdade, não passa de uma máscara para dirimir conflitos sociais e ao mesmo tempo servir para a empresa a falsa imagem de paladina da justiça e verdade perante a população.
O papel da imprensa é muito forte, uma matéria veiculada numa emissora em um horário nobre é influenciadora de milhares de pessoas. E esse poder não é negligenciado por elas, tanto é que comerciais são mais caros em certos horários. Acontece que, numa busca para ganhar audiência das concorrentes, que no mesmo horário passam programas com níveis de audiência também altos, exemplo de cardinot e Cia, criaram uma forma de o povo sugerir, denunciar e a reportagem ir lá resolver o “problema” de seu bairro.
Qualquer intelectualóide de esquerda (ou os que se dizem) reclamam que o povo é alienado e que não participa da construção da democracia, ou não clamam por seus direitos. Agora, com esta “preocupação” da rede globo em ir ouvi-los e solucionar os infortúnios por que passam, não podemos criticar a forma como a tão sonhada participação do povo na democracia vem se dando.
Esta forma de abordagem e solução esconde uma contenção de demandas. Uma rua não calçada é certamente um tormento, mas com toda a certeza o problema da localidade não é só esse, aparente aos olhos; há problemas estruturais que não são debatidos com a população, trazendo a falsa conformação de que eles apenas precisam de uma rua calçada para serem felizes.
O processo de conscientização já é de todos conhecido, não é mola mestra da mídia, muito menos da rede globo, portanto esta caridade feita é apenas uma ponta de iceberg que tenta dirimir conflitos e trazer uma falsa sensação de paz. Morar na periferia não é ruim se você tem um esgoto bem tratado e o lixo passando na rua, é o que querem mostrar.
Mas eles não tem o intuito de debater e problematizar para os governos e as populações problemas anacrônicos, como demandas sociais por moradia, ou a conscientização do voto, ou a importância de uma organização comunitária para efetivar contendas e problemas que de fato são necessários para a comunidade. Ajeitar uma praça é ótimo, mas trabalhar na educação de jovens e adultos e não só isso na sua conscientização e no oferecimento de condições para que tenham suas vidas melhoradas não é debatido e tão pouco proposto.
A sensação que tenho é que estes programas de televisão tem um acordo com os prefeitos: “só vamos pedir que calcem as ruas, não vamos pedir uma educação de qualidade, fique tranqüilo.” E neste jogo de fantasias a mídia vai ganhando respaldo, a população vai tendo suas necessidades aparentes satisfeitas e as contendas vão sendo dirimidas trazendo uma falsa sensação de que tudo está bem no Brasil e nas periferias, porque lá já calçamos as ruas.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
nada
Deu vontade de escrever algo neste blog, de repente vi que era apenas vontade pois as apalavras não chegram. Faltou o mote inicial, então divago a propósito do que seria escrever, se um puro tesão ou a elaboração de um querer.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
As mulheres que conheci
As mulheres das quais tenho contato
E não são poucas
São tão contraditórias e confusas que chego
A me perguntar se não seriam todas irmãs
E filhas umas das outras
As mulheres que conheci não tinham sonhos na vida
Não desrespeitavam seus maridos
Não levantavam a voz
Eram fies donas de casa, faziam a comida
Organizam o lar e educavam os filhos
As mulheres que conheci
Eram o exemplo que a sociedade quer e recomenda
Que sejam.
Não tinham sonhos, não tinham objetivos
Suas alegrias eram as alegrias dos outros
E sua vida se resumia a comentar
A vida dos outros
As mulheres que conheci apanhavam dos maridos
Se calavam com cada soco
Chute e agressão
Suas vozes eram silenciadas pelo medo
Pela vergonha, pela falta de opinião
As mulheres que conheci estão mortas
Enterradas em algum lugar
Esquecidas em todo lugar.
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